segunda-feira, 3 de junho de 2013

ANFÍBIOS - Pele e glândulas - Aparelho locomotor - Respiração - Aparelho circulatório - Alimentação - Sistema nervoso e órgão dos sentidos - Reprodução - Comportamento - Classificação - Os anuros - Os urodelos - Os ápodes - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.


ANFÍBIOS


Dentro do grande grupo zoológico dos vertebrados, os anfíbios ocupam um nível situado entre os peixes e os répteis, já que, embora dependam da água para sobreviver, em estado adulto precisam procurar terra firme para respirar e caçar os insetos que constituem seu alimento.


Características gerais
Os anfíbios formam uma das sete classes de que se compõem os vertebrados. Têm quatro extremidades, ou patas, que alguns perderam ao longo de sua evolução, e sua temperatura corporal varia com a do ambiente (são, portanto, poiquilotermos). Assim, quando cai a temperatura ambiente, também cai a dos anfíbios, que entram em hibernação nos meses mais frios. O embrião dos anfíbios carece de âmbito, membrana protetora que, nos répteis, nas aves e nos mamíferos, forma uma cavidade repleta de líquido. O ciclo vital desses animais transcorre em dois ambientes, aquático e terrestre, e eles se distribuem por todo o mundo. Alguns apresentam aspecto externo semelhante ao dos répteis.
Os anfíbios apareceram há cerca de 280 milhões de anos, no período devoniano. Os primeiros seres que apresentavam características anfíbias eram protegidos por couraças externas. Sua época de apogeu se situou entre o carbonífero e o permiano: os fósseis encontrados demonstram a existência, nessa fase, de algumas espécies de grandes dimensões.


Pele e glândulas. A pele desses animais não apresenta outra cobertura que não seja a propriamente dérmica, exceto no caso dos anfíbios carentes de extremidades, isto é, ápodes, e de alguns sapos que têm escamas. É uma pele úmida e de textura muito fina, característica vital, já que através dela os anfíbios respiram (respiração cutânea). Além disso, está coberta de glândulas, na maior parte mucosas, que a lubrificam e lhe dão o aspecto característico: viscoso e escorregadio. Os anfíbios também possuem glândulas venenosas com aparência de verrugas, que produzem secreções irritantes e tóxicas para outros animais. Algumas espécies apresentam na cabeça duas dessas verrugas: são as chamadas glândulas parotóides.
A pele experimenta trocas periódicas, ou mudas. A cor é muito variável, desde o verde, com seus diversos matizes, até o vermelho, passando pelo amarelo, alaranjado, branco etc. A variedade de tons se deve às numerosas células pigmentares da epiderme.


Aparelho locomotor. A adaptação à vida em terra fez com que os anfíbios desenvolvessem extremidades dotadas de dedos, quatro nas anteriores e cinco nas posteriores, e impôs uma série de modificações na coluna vertebral: as mais importantes são o reforço da pélvis e o aparecimento de uma vértebra especial no pescoço, o atlas, que favorece a mobilidade da cabeça. O resto do esqueleto apresenta diversas simplificações: as costelas são bem rudimentares e, no crânio, muitos ossos estão fundidos e outros são cartilaginosos.
A necessidade de deslocamento no meio terrestre ocasionou o desenvolvimento dos músculos das extremidades.


Respiração. Como foi assinalado, a respiração cutânea tem grande importância nos anfíbios. Uma elevada percentagem do intercâmbio gasoso desses animais com o meio se realiza por tal processo. As larvas apresentam respiração branquial (algumas têm brânquias ramificadas externas). Nos adultos aparecem pulmões em forma de saco, que têm um grau variável de irrigação por vasos sangüíneos.


Aparelho circulatório. A circulação nos anfíbios adultos é dupla, já que apresentam um circuito pulmonar de vasos e outro que percorre o resto do corpo. No entanto, é incompleta, pois não existe separação total entre o sangue arterial e o venoso, registrando-se certa mistura dos dois. O coração consta de três cavidades: duas aurículas e um ventrículo.


Alimentação. Em geral, os anfíbios se alimentam de insetos, embora as espécies mais corpulentas, como a rã-touro americana, cheguem a capturar peixes e pássaros. A língua, pegajosa, projeta-se para fora da boca a fim de capturar as presas e se retrai. Possuem dentes de pequeno tamanho. O reto, parte final do intestino, desemboca numa cloaca a que também se liga a bexiga. Os dejetos líquidos que se geram no corpo são expulsos pelos rins e condutos urinários.


Sistema nervoso e órgão dos sentidos. O sistema nervoso é relativamente pouco desenvolvido. Os olhos se situam dos dois lados da cabeça e é muito limitado o campo de visão binocular, isto é, aquele em que se superpõem as imagens dos dois olhos, determinando com precisão distâncias e relevos. A pupila, que dispõe de grande capacidade de dilatação, em algumas espécies apresenta-se como uma franja vertical, enquanto que, em outras, freqüentemente tem forma circular ou de coração.
Atrás dos olhos ficam as aberturas dos ouvidos, com a membrana do tímpano, mediante a qual são captadas as vibrações sonoras. Os anfíbios dispõem, no palato, de um órgão olfativo especial, denominado órgão de Jacobson, com o qual detectam suas presas, e que é muito desenvolvido nas salamandras.

Reprodução. A reprodução dos anfíbios quase sempre se dá no meio aquático. Nos tritões e nas salamandras, a fecundação é interna: o macho introduz o espermatóforo, espécie de saco de espermatozóides, no corpo da fêmea, por meio de uma expansão da cloaca. Nos sapos e nas rãs é externa. Na época do cio, os machos desses anfíbios emitem sons ruidosos (o "coaxar") por meio de seus sacos vocais e formam verdadeiros coros em que vários indivíduos cantam alternadamente. Durante o acasalamento montam sobre as costas das fêmeas, que costumam ser maiores do que eles. O casal permanece unido e imóvel em longo abraço, que pode prolongar-se durante horas, até que a fêmea expele os ovos, que são fecundados pelo esperma do macho na água.
Os ovos se dispõem em longos cordões ou fileiras, envoltos por uma bainha gelatinosa, e se depositam no fundo de águas paradas. Todos os anfíbios sofrem metamorfose. Assim, o aspecto da larva não é igual ao do adulto, especialmente no caso de rãs e sapos, nos quais é dotada de cauda e se chama girino. Pouco a pouco, as larvas vão desenvolvendo as extremidades, primeiro as anteriores e depois as posteriores, enquanto a cauda se reduz progressivamente até desaparecer. Também se formam os pulmões e as brânquias degeneram. Esse processo é regulado pela tireóide, glândula que promove o metabolismo e o desenvolvimento e que, para atuar, depende da presença de iodo no organismo. Na ausência desse elemento, a metamorfose não se processa. Muitos anfíbios conservam o aspecto larvar durante grande parte de sua vida e até ao longo de toda ela.

Comportamento. Durante sua época ativa, os anfíbios se mantêm escondidos nas margens dos cursos d,água que freqüentam ou submersos em rios e córregos. A intervalos regulares, saem para respirar e permanecem agachados em meio às plantas da margem, esperando a passagem de suas presas. Na época do frio hibernam: sua atividade e seu metabolismo decrescem e eles se ocultam em buracos ou na lama até passarem os meses de inverno. Às vezes, como ocorre entre as salamandras, vários indivíduos se agrupam para passarem juntos a fase de hibernação.
A maior parte dos anfíbios tem vida diurna. Só algumas espécies, como os sapos e as salamandras, desenvolvem suas atividades à noite.
Ecologia e distribuição. Os anfíbios se distribuem por todo o mundo, exceto no continente antártico, e vivem em estreita relação com o meio aquático. Não resistem à água salgada e por isso seu habitat se limita às águas continentais: lagos, pântanos e charcos, lamaçais, rios etc.
Os tritões e as salamandras habitam zonas de grande altitude. Outros, batráquios como o sapo Bufo alvarius, dos Estados Unidos, povoam regiões áridas e até desérticas. Certas rãs, como as pererecas, são arborícolas, e possuem almofadinhas adesivas em forma de disco nas pontas dos dedos. Nesse grande grupo existem também espécies cavernícolas, como o proteu.

Classificação
A classe dos anfíbios se divide em três ordens: a dos anuros ou batráquios, que não têm cauda e à qual pertencem rãs e sapos; a dos urodelos, dotados de cauda e com aspecto de répteis, que inclui salamandras e tritões; a dos ápodes, sem patas, na qual se classificam as cecílias -- também conhecidas como minhocões e cobras-cegas --, anfíbios de aparência vermiforme.

Os anuros. A ordem dos anuros engloba os anfíbios que, em estado adulto, não têm cauda e são adaptados ao salto, graças ao comprimento e à força de suas patas posteriores. Possuem sacos vocais que lhes permitem emitir diferentes sons, que se tornam característicos durante a época de acasalamento.
A rã dos pântanos (Rana ridibunda), cuja área de distribuição compreende o sudoeste e o leste da Europa, é de cor verde-oliva e apresenta numerosas manchas circulares escuras no dorso e nas patas. Vive em grupos, e passa a maior parte do tempo na água, inclusive na época de hibernação.
Originária da América do Norte, a rã-touro (Rana catesbyana) é um dos anfíbios de maior tamanho. Chega a medir vinte centímetros do focinho ao fim do dorso e, por sua corpulência, alimenta-se de presas de certa envergadura, como outras rãs, peixes, pássaros e até pequenos mamíferos.
Maior ainda é a rã gigante africana (Rana goliath), que ultrapassa trinta centímetros de comprimento, medidos, como na anterior, do focinho à extremidade das costas. Com as patas esticadas, pode chegar a setenta centímetros, e seu peso alcança dois quilos. Vive nas selvas da África oriental.
A perereca (Hyla arborea) habita as copas das árvores, tem forma esbelta e é dotada de discos adesivos nos dedos para facilitar sua aderência aos galhos e ramos.
Caracterizado por sua cabeça achatada, larga e triangular, que lhe dá um aspecto muito específico, o cururu-pé-de-pato (Pipa pipa) mede cerca de vinte centímetros de comprimento e vive sobretudo na América do Sul. Os ovos são incubados em dobras da pele do dorso que parecem pústulas.
O sapo comum (Bufo bufo) é de cor parda, pode medir 15cm de comprimento e tem a pele cheia de verrugas. Está representado em quase todas as regiões do mundo. No Brasil, há sapos e rãs de diversos gêneros e grande quantidade de espécies, inclusive dendrobatídeos perigosamente peçonhentos e sapos de curiosas denominações regionais, como o sapo-boi ou sapo-gigante (Bufo paracnemis), o sapo-cururu (Bufo marinus), o sapo-canoeiro (Phrynohias hebes), o sapo-ferreiro (Hyla faber Wied) e o sapo-de-chifre ou untanha, dos maiores, assim como a rã-pimenta (Leptodactylus pentadactylus), a rã-assobiadora, a rã-do-banhado etc.

Os urodelos. A ordem dos urodelos é integrada por anfíbios dotados de cauda e a ela pertencem as salamandras, os tritões e os proteus.
A salamandra comum (Salamandra salamandra) se estende amplamente pela Eurásia e pelo norte da África. Apresenta uma coloração característica, constituída por manchas alaranjadas sobre fundo negro ou por listras negras sobre fundo amarelo. Vive em zonas montanhosas, tem costumes noturnos e pode ser encontrada com certa facilidade depois da chuva, já que, como os demais anfíbios, é atraída pela umidade.
A salamandra gigante do Japão (Megalobatrachus japonicus) chega a medir até um metro e meio de comprimento e vive em torrentes de água clara e de fundo rochoso. São animais longevos, e alguns exemplares chegaram a viver em cativeiro até sessenta anos.
O tritão de crista (Triturus cristatus) é uma espécie eurasiática de cor parda com manchas circulares negras e ventre amarelado. Os machos no cio apresentam uma crista chamativa que lhes percorre o dorso e a cauda.
Um curioso anfíbio é o axolotle tigrado (Ambystoma tigrinum) que vive na América do Norte, principalmente no México. Esses animais foram mencionados já no século XVI pelo cronista Gonzalo Fernández de Oviedo, que os confundiu com peixes dotados de patas. Foi Georges Cuvier quem os classificou como anfíbios, depois de mantê-los vivos num aquário. Esses espécimes, iguaria muito apreciada pelos astecas, conservam em determinadas condições sua fase larvar podendo, inclusive, reproduzir-se nesse estado.
O proteu (Proteus anguinus) é de cor esbranquiçada, vive em cavernas e possui brânquias externas, como no estado larvar, e extremidades curtas e muito delgadas. Por causa do tipo de vida cavernícola, tem os olhos atrofiados.

Os ápodes. A ordem dos ápodes, ou gimnofionos, é composta pelas chamadas cecílias. São anfíbios carentes de extremidades e com aspecto de pequenas cobras. Os ovos, de grande tamanho, são depositados em cavidades escavadas em terra úmida. Alguns espécimes podem alcançar um metro de comprimento, como ocorre com certas cecílias americanas.

ANIMAL - Animais e plantas -Forma e organização - Tegumento e sistema esquelético - Sistema circulatório - Respiração - Reprodução e desenvolvimento - Comunidades animais - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.


ANIMAL


De acordo com a experiência comum, é fácil reconhecer um animal e diferenciá-lo das formas de vida vegetais. No entanto, a distinção faz-se mais complexa à proporção que se desce na escala evolutiva da organização do mundo animal.

Animais e plantas. Uma observação superficial permite estabelecer a mais nítida diferença entre um animal e uma planta: os animais reagem a uma série de estímulos do meio e percebem a luz, os sons e os cheiros de maneira direta e imediata. Sua relação com o meio ambiente parece mais profunda e ativa que a dos vegetais, já que estes crescem e se levantam e, portanto, se movem -- porém, seu movimento é mais lento, praticamente imperceptível.
Ao nos concentrarmos na observação dos animais menos evoluídos, essas diferenças parecem diluir-se de maneira progressiva: os órgãos sensoriais de uma estrela-do-mar não são reconhecíveis e sua forma não é tão definidamente "animal". As esponjas são imóveis e os corais ramificam-se como árvores. Todas as características mais familiares nos animais parecem estar ausentes em tais seres: mobilidade, atividade, capacidade de reação etc. Contudo, também eles são animais.
A diferença fundamental entre o reino vegetal e o animal reside nas características celulares e no tipo de nutrição. As plantas são organismos autotróficos, isto é, nutrem-se por si mesmos a partir de substâncias minerais, luz e água. Para isso se valem da fotossíntese, por meio da qual produzem moléculas orgânicas utilizando a luz solar. Os animais são heterotróficos, uma vez que têm de alimentar-se de outros seres vivos para obter elementos nutritivos.
Nas células vegetais e animais podem ser apreciadas diferenças evidentes: as primeiras estão rodeadas de paredes de celulose, que tornam os tecidos das plantas rígidos, e seu interior contém orgânulos que não aparecem nas células animais. Entre estes se destacam os cloroplastos, responsáveis pela fotossíntese, e grandes vacúolos, em forma de grânulos, nos quais se armazenam substâncias de reserva, especialmente amidos. As células animais, ao contrário, só estão limitadas pela membrana, carecem de cloroplastos e de pigmentos fotossintéticos, e não armazenam amidos.

Forma e organização. No reino animal acham-se integrados seres das mais diversas formas e tamanhos. Há animais microscópicos, como os protozoários, que são unicelulares, ou os rotíferos, e outros de dimensões gigantescas, tais como as baleias e os cachalotes. Existem formas marinhas fixas e imóveis, como as esponjas, os corais, os crinóides, e outras que dispõem de grande mobilidade e surpreendente rapidez.
A morfologia animal acha-se condicionada pelo grau de adaptação a um determinado habitat: as formas esféricas de numerosos protozoários aquáticos, como os radiolários, refletem um tipo de vida baseado na flutuação; os delicados tecidos das medusas favorecem seu deslocamento na água; a forma alongada dos vermes permite-lhes viver e se moverem no subsolo, no fundo do mar ou no interior de outros animais; os numerosos apêndices dos artrópodes os habilitam a colonizar todos os tipos de meio, e assim sucessivamente. Do mesmo modo, o desenho fusiforme dos peixes facilita seu deslocamento com um mínimo de resistência na água; o leve e esbelto corpo das aves permite sua sustentação no ar; e as extremidades dos mamíferos torna-lhes possível andarem, saltarem e capturarem suas presas.
Apesar dessas diferenças, existem várias necessidades e processos básicos que devem ser atendidos. São eles o isolamento do meio exterior, a sustentação e suporte do organismo, a respiração, a distribuição das substâncias nutritivas pelas células, a assimilação do alimento e a expulsão dos resíduos, a relação com o meio e a coordenação dos processos orgânicos, e, finalmente, a reprodução.

Tegumento e sistema esquelético. Na medida do possível, o organismo deve ser protegido e isolado do exterior: para isso se desenvolvem os chamados tegumentos. Freqüentemente, as células que os compõem segregam substâncias especiais que endurecem e formam uma barreira adicional, à maneira de uma couraça. Tal é a origem dos esqueletos calcários dos corais, das conchas dos moluscos ou das carapaças de quinina de insetos e crustáceos. Os vertebrados, animais mais evoluídos, também dispõem de formações protetoras exteriores. Devem-se mencionar, por exemplo, as escamas dos peixes e dos répteis, as penas das aves e o pêlo dos mamíferos.
O sistema esquelético constitui a estrutura de sustentação do organismo: nos vertebrados, o esqueleto acha-se no interior do corpo, formando um conjunto de peças ou ossos articulados entre si que, além do mais, servem de apoio, de fixação e alavanca para os músculos.

Respiração. Nos animais menos evoluídos, o oxigênio penetra nas células por simples difusão. À medida que a estrutura dos seres se torna mais complexa, torna-se manifesta a necessidade de que se desenvolvam condutos e aparelhos que distribuam o oxigênio pelo corpo. Os animais aquáticos respiram por meio de brânquias, ou guelras, através das quais penetra o oxigênio dissolvido na água. Os animais terrestres, por sua vez, dispõem de traquéias, isto é, de sistemas de condutos, ligados ao exterior, que se vão ramificando em túbulos cada vez mais finos até alcançar as células, como acontece entre os insetos; de sacos aéreos e brônquios, característicos das aves; e de pulmões. Nos vertebrados, a respiração está intimamente ligada ao sistema circulatório. Os glóbulos vermelhos do sangue contêm hemoglobina, pigmento que se combina com o oxigênio e permite que ele seja transportado até as extremidades dos capilares sangüíneos, sendo ali mesmo liberado e posteriormente absorvido pelos tecidos.

Sistema circulatório. O alimento, digerido e absorvido pelo animal, e o oxigênio são transportados para os tecidos por meio do sistema circulatório. Esse conjunto é constituído, fundamentalmente, por uma rede de condutos ou vasos através dos quais circula um líquido composto de células, proteínas e outras substâncias. Nos animais inferiores, o sistema é aberto, e os vasos desembocam em lacunas ou hemoceles, que banham as vísceras diretamente. Nos vertebrados e em outros grupos o sistema é fechado, sendo o sangue impelido por meio de um órgão musculoso de bombeamento, o coração.
Nutrição e excreção. O alimento ingerido tem de ser decomposto em seus princípios básicos para que estes possam ser assimilados pelo organismo animal: tal decomposição ocorre no processo digestivo. À medida que se eleva a escala evolutiva dos animais, o tubo digestivo vai-se diferençando progressivamente numa série de cavidades especializadas nas diferentes etapas de tratamento do alimento: cavidade bucal, munida de peças mastigatórias, papos, moelas, estômago e intestino.
Mediante o processo de excreção, eliminam-se do organismo os resíduos da assimilação, e as substâncias tóxicas. Nos vertebrados, essa função compete aos rins, órgãos em que se filtra o sangue para formar a urina.
Órgãos sensoriais, sistema nervoso e hormonal. A relação do animal com o meio ambiente produz-se graças aos órgãos sensoriais que, nos animais superiores, são: ópticos, auditivos, táteis, olfativos e gustativos. O processamento das informações e a coordenação das atividades do organismo realizam-se por meio do sistema nervoso, constituído de diversos órgãos e vias de transmissão de determinados impulsos bioquímicos de natureza elétrica. Um traço que evolui paralelamente ao grau de complexidade do organismo animal é a chamada cefalização. A massa nervosa concentra-se na cabeça e constitui o encéfalo, centro controlador da atividade nervosa, do qual partem os nervos e gânglios e, nos vertebrados, a medula espinhal. A coordenação é também regulada pelos hormônios, substâncias que produzem efeitos diferentes nos órgãos sexuais e no metabolismo, considerado este como o conjunto de mecanismos químicos que ocorrem nos animais.

Reprodução e desenvolvimento. A reprodução é o processo que permite aos seres vivos manter sua espécie ao longo do tempo. Nos animais mais simples, a reprodução sexuada coexiste com a assexuada. Na primeira, as células reprodutoras, ou gametas, de dois indivíduos de sexo oposto se unem para formar um novo ser. Na segunda, em vez disso, uma parte do corpo do animal se separa e regenera o organismo.
A célula-ovo surgida da relação sexual experimenta um processo acelerado de multiplicação celular até constituir uma massa homogênea, a partir da qual se diferenciam os envoltórios celulares que dão origem aos diversos tecidos e órgãos. Esse processo é a denominada embriogenia.

Comunidades animais. Muitos animais reúnem-se em comunidades mais ou menos estáveis, para garantir sua sobrevivência de maneira mais eficiente do que se enfrentassem o meio solitariamente. Em alguns grupos, como o dos corais e o dos briozoários, constituem-se colônias estreitamente vinculadas entre si. Determinados insetos, como as formigas, os cupins e as abelhas, dão origem a verdadeiras "sociedades", com uma estrita divisão do trabalho, de modo que a comunidade inteira age como um supra-organismo para cuja preservação são encaminhadas as atividades dos indivíduos que a integram. Outra forma de relação é o gregarismo, pelo qual um determinado número de animais da mesma espécie partilha um território. É o caso dos rebanhos de herbívoros ou os cardumes de peixes.

ARACNÍDEOS - Principais grupos - Características - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.


ARACNÍDEOS


As aranhas, escorpiões e ácaros são os aracnídeos mais conhecidos. Essa classe de artrópodes predadores tem dezenas de milhares de espécies e subespécies. Muitos deles são extremamente úteis ao homem porque combatem pragas e se alimentam de insetos transmissores de doenças, mas outros provocam enfermidades e alguns possuem uma peçonha que pode ser mortal.


Características gerais. Os aracnídeos são invertebrados artrópodes (providos de apêndices articulados), aparentados com os insetos, crustáceos e centopéias. Contudo, diferem desses porque têm quelíceras, apêndices venenosos localizados perto da boca, e são desprovidos de antenas e mandíbulas.
Em geral, o corpo se divide em duas regiões características: uma anterior, o cefalotórax (formado pela união da cabeça com o tórax), onde se inserem as patas e se localizam os olhos e as quelíceras, e outra posterior, o abdome, que é segmentado nos escorpiões, indiviso nas aranhas e nos ácaros não apresenta limite perceptível com o cefalotórax.
Junto às quelíceras, os aracnídeos possuem um par de apêndices alongados que se denominam pedipalpos. Nos escorpiões eles são muito desenvolvidos e formam uma espécie de pinça com as quais retêm as presas. Muitos aracnídeos usam esses apêndices para reconhecer o terreno e tatear o solo. Além disso, têm quatro pares de patas, divididas em diferentes partes, articuladas de modo a permitir andar, nadar e escavar. Na parte anterior do corpo, situa-se uma série de olhos simples, orientados em diferentes ângulos.
Os aracnídeos são animais predadores. Capturam suas presas -- insetos, vermes, outros aracnídeos e até pequenas aves -- e, pelos canais existentes no interior das quelíceras, inoculam na vítima o veneno segregado por glândulas situadas perto da boca. Esse veneno dissolve os tecidos da vítima, decompondo-os e reduzindo-os a uma polpa pastosa que os aracnídeos absorvem.
Os ácaros, em geral, não têm sistema respiratório. Os escorpiões têm quatro pares de pulmões traqueais, ou filobrânquias, que se comunicam com o meio exterior por meio de um estigma, órgão respiratório que abre e fecha. O aparelho digestivo compõe-se de três partes. Na anterior, digere-se parcialmente o alimento. Na média, a digestão se completa. A excreção é feita por órgãos com a aparência de feixes de pelinhos finos, os vasos de Malpighi, que se comunicam com a parte posterior do intestino.
A maioria dos aracnídeos é ovípara. Os ovos são fecundados pela mãe no momento da postura. Os ácaros e escorpiões são ovovivíparos ou vivíparos. Até alcançar o tamanho definitivo e a maturidade sexual, os aracnídeos passam por uma série de mudas.


Principais grupos. Os aracnídeos compreendem diversas ordens, entre as quais se destacam a dos escorpiões, a dos araneídeos, a dos opiliões e a dos ácaros.
Os escorpiões têm o abdome dividido em duas regiões: uma anterior, tão larga quanto o cefalotórax, e outra posterior, também chamada cauda, mais estreita e dividida em segmentos. Esta última termina no chamado telso (último anel do abdome), onde se localiza uma glândula peçonhenta.
Os araneídeos, ou aranhas, caracterizam-se por duas regiões corporais separadas por uma cintura estreita. Além disso, têm a capacidade de segregar, por apêndices posteriores denominados fiandeiras, uma substância sedosa com a qual muitas espécies fabricam teias. Os opiliões possuem um corpo diminuto, sustentado por patas finas e compridas, semelhantes a pêlos. São animais de hábitos gregários, freqüentemente vistos em reentrâncias, agrupados em grande número. No grupo dos ácaros há muitas espécies de parasitas, como os carrapatos e o Sarcoptes scabiei, causador da sarna humana.

AVE - Aves marinhas - Aves aquáticas - Rapaces - Papagaios e espécies afins - Aves cinegéticas brasileiras - Características - Alimentação - Reprodução - Classificação - Ecologia e distribuição - Comportamento - Pele e glândulas - Aparelho locomotor - Respiração - Sistema circulatório - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.



AVE

Compõe a ave o grupo de seres do mundo animal que conquistou o meio aéreo. Para isso, ao longo de sua evolução, teve de desenvolver uma série de características muito peculiares, que a diferenciaram do restante dos vertebrados.


Características gerais
Ave é um animal vertebrado cuja temperatura corporal se mantém constante dentro de certos limites. É dotada de quatro extremidades, das quais duas, as anteriores, evoluíram até se transformarem em asas, que lhe permitem voar. As extremidades posteriores ou patas apresentam quatro dedos, embora em certas espécies esse número tenha se reduzido. O corpo é revestido de penas e a boca projeta-se em bico, estrutura córnea cuja forma e características demonstram fielmente os hábitos alimentares do animal. Sua área de distribuição abrange todas as latitudes e todos os ambientes, da Antártica aos desertos.
Foi no período jurássico, há cerca de 180 milhões de anos, que surgiram as aves. Segundo mostram restos fósseis, elas evoluíram a partir de répteis primitivos que, em determinado momento, adquiriram a capacidade de voar. Os primeiros representantes desse grupo de vertebrados tinham, de fato, muitas características próprias dos répteis, como bico dentado e uma longa cauda. Esses caracteres eram evidentes em aves pré-históricas como o Archaeopteryx.

Pele e glândulas. A pele das aves é delgada e apresenta uma só glândula, a uropigiana, situada nas proximidades da cauda. Esse órgão secreta um líquido oleoso que o animal espalha com o bico sobre as penas para impermeabilizá-las. As penas são formações cutâneas que conferem às aves aspecto característico. Trata-se de elementos de sustentação, separados em intervalos bem definidos. Dependendo das diversas áreas do corpo em que se localizam, as penas variam em forma e tamanho. Todas, porém, apresentam as mesmas particularidades. O tubo transparente da base denomina-se canhão ou cálamo, que se encaixa na pele e de onde se projeta um eixo ou raque, no qual se inserem numerosos filamentos ou barbas. O conjunto de barbas forma o chamado vexilo. Das barbas partem filamentos menores, ou bárbulas, que se encaixam entre si e proporcionam grande resistência à pena. Nos filhotes é comum um determinado tipo de pena, a chamada penugem, de aspecto lanoso. Alguns desses órgãos epidérmicos inserem-se na cauda e denominam-se penas timoneiras; outras cobrem o corpo -- são as tectrizes -- e outras, as rêmiges, dispõem-se nas asas.
A cor da plumagem é muito variável, tanto nos diferentes grupos como na evolução de uma mesma espécie ao longo de sua vida. Na maior parte dos casos, o colorido dos jovens e das fêmeas é bem menos vistoso do que o dos machos adultos. Determinadas regiões do corpo do animal, como o bico e as patas, carecem de penas e são protegidas por formações córneas. Os dedos das patas terminam em garras.

Aparelho locomotor. As aves, em sua maioria, são voadoras e somente algumas, como o avestruz, o casuar ou o pingüim, não voam e estão adaptadas à corrida em terra firme ou à natação.
O deslocamento no ar impôs grande número de alterações na forma do esqueleto e dos músculos. Fizeram-se também necessárias complexas adaptações e reestruturações fisiológicas nos sistemas restantes. Os ossos tornaram-se muito leves, perderam a medula e encheram-se de ar. Numerosas peças ósseas do crânio e da coluna vertebral fundiram-se, de modo que o conjunto se transformou em excelente suporte para o vôo. No esterno da maioria das aves desenvolveu-se um prolongamento em forma de quilha, que atua como suporte dos possantes músculos peitorais.
Na asa observam-se peças correspondentes aos restos evolutivos das falanges de três dedos. O carpo e o metacarpo, que no homem constituem o pulso, a palma e o dorso da mão, nas aves acham-se unidos e formam o chamado carpometacarpo (genericamente, metacarpiano), que dá grande firmeza e solidez à asa. Já a cauda reduziu-se nas aves e desapareceram várias das vértebras que a constituem.


Respiração. A traquéia desses animais pode alcançar grande comprimento. Em sua porção final localiza-se a siringe, órgão de fonação das aves, integrado por músculos, membranas e cartilagens. A respiração efetua-se por meio de pulmões, constituídos por um conjunto de canais e brônquios de diferente espessura que se ramificam e se unem entre si e também com os sacos aéreos. Estes últimos atuam como foles ou bolsas e insuflam nos brônquios o ar que recebem do exterior através da traquéia. A passagem do ar pelos canais brônquicos é contínua. Os brônquios mais finos estão em contato com numerosas cavidades pequenas e com um abundante fluxo sangüíneo, o que permite a assimilação do oxigênio pelo sangue. Esse sistema propicia às aves condições de manter em ventilação constante os pulmões, produzindo o volume de oxigênio necessário aos tecidos musculares para o exercício do vôo.


Sistema circulatório. Nas aves, a circulação é completa -- não se misturam o sangue arterial que parte do coração e o venoso que a ele retorna procedente dos tecidos -- e dupla, já que dispõem de um circuito pulmonar e de outro que irriga o resto do corpo. À diferença do que ocorre nos grupos inferiores de vertebrados (peixes, répteis e anfíbios), o coração apresenta quatro cavidades: duas aurículas e dois ventrículos.


Alimentação. A gama de alimentação das aves apresenta tantas variantes como os grupos que constituem essa classe de vertebrados. Existem aves granívoras, como os tentilhões e os canários, que ingerem principalmente sementes. Também há espécies insetívoras, como as andorinhas ou os pica-paus; sugadoras do néctar das flores, como os beija-flores; predadoras, como os falcões e outras aves de rapina; e carnívoras, como os abutres. Em geral, a maioria mantém uma dieta polivalente, ou seja, não se alimenta de maneira exclusiva de um só tipo de substância nutritiva.
Em muitas aves, a porção final do esôfago é constituída pelo papo e pelo estômago. Além da parte propriamente digestiva, dispõem de uma moela, onde se tritura a comida para suprir a falta de dentes. Os canais urinários, que partem dos rins e desembocam na cloaca, transportam a urina, quase sólida.
Sistema nervoso e órgãos dos sentidos. O sistema nervoso é mais evoluído do que o dos grupos inferiores de vertebrados. Os órgãos sensoriais mais desenvolvidos são o da visão e o da audição. Os olhos apresentam a chamada membrana nictitante, que se estende sobre a córnea. Exceto nas aves de rapina de hábitos noturnos, como a coruja, os olhos são dispostos lateralmente.

Reprodução. A fecundação desses vertebrados é interna. Para realizá-la, o macho aproxima sua cloaca à da fêmea, já que, salvo em raras exceções, como o avestruz, não existem órgãos copuladores. Na época do acasalamento, são freqüentes as danças e os cortejos nupciais com diversas posições de exibição e apaziguamento. Destacam-se pelo caráter vistoso os ritos nupciais dos grous coroados africanos, em que o macho executa uma série de saltos espetaculares para atrair a fêmea.
As aves são ovíparas: reproduzem-se por meio de ovos, que variam em forma, tamanho e cor, segundo a espécie. O ovo é protegido por um envoltório calcário e poroso, a casca, produzida no oviduto da fêmea. Em seu interior encontra-se a célula-ovo ou gema, rodeada por uma substância gelatinosa, a clara. O desenvolvimento do ovo requer calor, que é proporcionado pelo corpo da mãe ou dos dois progenitores durante o período denominado incubação.

Comportamento. Assim como no resto do mundo animal, o comportamento das aves é condicionado pelas funções básicas de sobrevivência: a busca de alimento, a defesa, a reprodução e a criação. Os hábitos alimentares são bastante diversificados. Há aves, como as pegas e outras da família dos corvídeos, que armazenam sementes para a estação fria; outras, como os picanços, prendem suas vítimas -- répteis, insetos e pequenos pássaros -- em espinhos de acácias ou sarças, enquanto não as consomem; do mesmo modo, existem aves pescadoras, caçadoras, carnívoras etc. Algumas, como as gralhas, caracterizam-se por seus hábitos gregários e mantêm uma rígida hierarquia social em seus grupos.
O canto desempenha papel decisivo na relação social, serve como sinal de alarma ou territorial, à busca de par etc. Também são fundamentais os hábitos de nidificação, reprodução e criação da prole.
As migrações constituem outro fator determinante do comportamento das aves. Certas espécies deslocam-se de seus habitats e voam para outras terras, percorrendo em certos casos milhares de quilômetros, onde passam a estação quente.

Ecologia e distribuição. As aves colonizaram quase todos os habitats terrestres e boa parte dos aquáticos. Grande número de espécies, como os patos ou flamingos, povoa as zonas lacustres. Outras são costeiras, como as gaivotas e os cormorões. Alguns grupos adaptaram-se a climas polares, caso dos atobás. Algumas espécies, de resto escassas, perderam a capacidade de voar.
Certas aves, como as que habitam as ilhas oceânicas, têm uma área de distribuição muito reduzida, enquanto outras, como os pardais, se propagaram por quase todo o mundo e chegaram inclusive a viver em ambientes urbanos.

Classificação
Aves corredoras. As aves denominadas corredoras ou ratitas são incapazes de voar e algumas delas, como o avestruz (Struthio camelus) africano, o emu (Dromiceius novae-holandiae) australiano e a ema (Rhea americana) sul-americana chegam a ser de grande porte. Costumam habitar regiões de savana ou planícies herbáceas. O quivi (Apteryx australis) carece de asas, tem hábitos noturnos e é autóctone da Nova Zelândia.

Aves marinhas. Entre as aves que passam no mar a maior parte da vida, ou ao menos consideráveis períodos, cabe mencionar os pingüins, característicos da região antártica, que têm as asas adaptadas à natação. Compreendem 18 espécies, entre as quais se destaca o pingüim-imperador (Aptenodytes forsteri).
Outras espécies típicas desse habitat são o albatroz (Dromedea immutabilis), o alcatraz (Sula bassana), o cormorão (Phalacrocorax carbo) e as gaivotas. Entre estas últimas, destacam-se a gaivota argêntea (Larus argentatus), de asas e dorso cinzentos e cabeça branca, e a gaivota-de-dorso-escuro (Larus ridibundus), de cabeça negra.
As aves marinhas alimentam-se de peixes, plâncton, crustáceos, moluscos e outros invertebrados que povoam as costas. Numerosas espécies dispõem de glândulas salinas situadas perto dos olhos, por meio das quais excretam o excesso de sal que ingerem em sua dieta.

Aves aquáticas. Nas áreas de água doce, como lagoas, pântanos e rios, encontram-se muitas espécies de aves. Algumas têm patas compridas e finas, pelo que também são conhecidas como pernaltas, e bicos de grande extensão, com que filtram ou revolvem o lodo ou as águas superficiais em busca de alimento. Entre essas acham-se o flamingo (Phoenicopterus ruber), a garça-real (Ardea cinerea) e o grou (Grus grus). Aquáticas também são o pato-real (Anas platyrhynchos), o ganso (Anser anser) ou o cisne (Cignus olor), de grandes bicos achatados e com membrana interdigital nas patas; e outras como o maçarico-de-bico-torto (Numenius phaeopus hudsonicus), a galinhola (Scolopas rusticola) e a narceja (Gallinago gallinago), aves de pés espalmados que abundam nas regiões pantanosas.
Galiformes. Aves cuja capacidade de vôo acha-se em muitos casos reduzida, os galiformes incluem o galo (Gallus gallus), o faisão (Phastanus colchicus), a perdiz (Alectorix rifa) e o peru (Meleagris gallopavo).


Papagaios e espécies afins. Os papagaios e espécies semelhantes vivem em zonas tropicais e exibem plumagens de brilhante colorido. Seu bico é curto e adunco e as patas prêenseis, isto é, com dois dedos rígidos projetados para trás e os dois restantes orientados para diante e muito encurvados. Algumas são muito conhecidas por sua capacidade para articular e repetir sons que lhes são familiares. Destacam-se o papagaio-do-mangue (Amazona amazonica) e o papagaio propriamente dito (Psittacus erithacus). Algumas espécies habitam a América do Sul e outras a África e a Oceania.
Pombos e espécies afins. Aparentados com o pombo-bravo (Columba livia), tão familiar e abundante em grande número de cidades, são o pombo-torcaz (Columba palumbus) e a pomba-gravatinha (Streptopelia erithacus). Essas aves possuem um papo dilatado que segrega uma substância gordurosa com que nutrem suas crias.


Rapaces. As rapaces são predadoras ou carnívoras, algumas de grande tamanho, com o bico proeminente e curvo e as patas fortes, terminadas em potentes garras com que capturam suas presas. Entre as de hábitos diurnos cabe mencionar a águia-real (Aquila chrysaetos), o falcão (Falco peregrinus), o abutre (Gyps fulvus) e o condor (Vultur gryphus). As noturnas, como a coruja-de-igreja (Tyto alba) e o mocho-real (Bubo bubo), geralmente têm envergadura menor do que as anteriores.


Pássaros. Englobam os pássaros mais da metade do total de espécies de aves e agrupam exemplares de tamanho pequeno ou médio, entre os quais se incluem as principais aves canoras. Cabe citar o pardal (Passer domesticus), o pintassilgo (Spinus magellanicus), o melro (Turdus merula), os bicos-de-lacre (Estrilda cinerea). Originários da África, foram introduzidos no Brasil e em outros países tropicais.


Outras aves. Outras aves dignas de menção são os engole-ventos (Caprimulgus europaens), noturnos e insetívoros; os andorinhões (Apus apus), os que maior velocidade alcançam no vôo e que passam praticamente toda sua vida no ar, executando voltas acrobáticas para capturar os insetos de que se alimentam; ou os colibris, que compreendem numerosas espécies naturais da América do Sul, algumas diminutas, e vivem sugando flores. Merecem também destaque os pica-paus (Dendrocopus maior), que abrem buracos nos troncos das árvores, com seus bicos afiados, para capturar insetos e larvas, o martim-pescador (Alcedo athis) e o cuco (Cuculus canorus).


Aves cinegéticas brasileiras
Entre as aves cinegéticas brasileiras destacam-se os tinamiformes, que representam as caças de pio. Delas, os macucos, jaós e inhambus, que habitam as matas e capoeiras, são as mais apreciadas pelos caçadores dessa modalidade esportiva. Os mais sagazes e difíceis de serem abatidos são os macucos, habitantes das matas virgens ou primitivas. As perdizes e codornas são caçadas com o auxílio de cães perdigueiros amestrados. Vivem nos campos gerais, cerrados e descampados. Devido à rapidez do vôo, o caçador deverá ter boa pontaria, para poder abatê-las no ar.
Os galiformes estão entre as aves brasileiras mais apreciadas pelos caçadores, sobretudo nas regiões pouco desbravadas, devido à grande quantidade de carne que fornecem. Entre elas destacam-se os urus, jacutingas, cujubins, jacus, aracuãs e mutuns. Possuem vôo pesado, alimentam-se de frutos silvestres, sementes etc. Para abatê-las o caçador espera nos poleiros, à noite, ou pela manhã, junto às árvores cujos frutos ou sementes lhes servem de alimento. Os mutuns são as maiores do grupo. Os urus podem ser considerados também como caça de pio, bem como as jacutingas.
Outro grupo de aves muito apreciado pelos caçadores são os anseriformes, representados pelos marrecões, patos de crista, patos do mato, marrecas e mergulhões. Vivem nos rios, lagos e terrenos alagadiços, e para abatê-las o caçador as espera ou procura ativamente, sobretudo de madrugada ou ao anoitecer.
Entre os gruiformes destacam-se os jacamins da Amazônia, as saracuras e frangos-d"água, as galinhas-d"água e marrequinhos. Os narcejões e narcejas, entre os caradriformes, são muito estimados pelos caçadores como aves de tiro ao vôo. Os columbiformes ou pombos, sobretudo as pombas verdadeiras, a avoante e as juritis, também são aves muito procuradas pelos caçadores brasileiros.

ARTRÓPODES - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.


ARTRÓPODES


Um dos grupos sistemáticos que alcançaram maior evolução no reino animal foi o dos artrópodes. Sua variedade de formas e dimensões -- compreende seres de poucos décimos de milímetro, como certos ácaros, e espécimes que atingem dois metros, como alguns caranguejos tropicais -- atraem a atenção dos que estudam a evolução dos animais e sua adaptação ao meio ambiente.

Características gerais. Artrópodes são animais invertebrados caracterizados por possuir patas e apêndices articulados e o corpo formado de segmentos ou anéis. Uma cobertura geralmente espessa, chamada exosqueleto, reveste o corpo, proporcionando uma espécie de proteção articulada aos músculos e órgãos. As fibras musculares são estriadas. O aparelho mastigador e os órgãos sensoriais localizam-se na cabeça. No caso dos artrópodes mais simples, o corpo tem duas partes: cabeça e tronco (miriápodes). O tronco pode se apresentar dividido em tórax e abdome (insetos). A cabeça e o tórax podem também juntar-se, formando o cefalotórax (aranhas e alguns crustáceos). Os artrópodes são os únicos animais, entre os invertebrados, que além de possuírem corpo e pernas articulados, condição capaz de garantir sua existência em qualquer tipo de habitat, desenvolveram asas ao longo de sua evolução, para se deslocarem também pelo ar. Essa é uma das razões para sua presença em qualquer parte do planeta. O ramo dos artrópodes (na verdade, um filo) inclui aproximadamente oitenta por cento das espécies animais conhecidas. Outra razão de sua onipresença é a sua insuperável capacidade de adaptação ao meio.

PEIXES - Características - Habitat - Classificação sistemática - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.



PEIXE

Com mais de trinta mil espécies conhecidas, entre as quais há amplo predomínio das marinhas sobre as de água doce, os peixes foram os primeiros vertebrados a surgir no curso da evolução da vida na Terra.
Peixe é o nome com que se designam os animais vertebrados adaptados à vida aquática, com esqueleto ósseo ou cartilaginoso e temperatura variável segundo as oscilações térmicas do ambiente.


Características gerais. Os peixes têm o corpo coberto de escamas ou de couro e são dotados de nadadeiras de diferentes formatos e localizações, por meio das quais se deslocam na água. Tanto no caso das espécies marinhas quanto no das de água doce, o corpo dos peixes é na maioria das vezes fusiforme, pois essa é a forma que opõe menor resistência ao deslocamento na água. Existe, no entanto, uma grande variedade de outras formas, desde as alongadas e com aspecto de serpente, como é o caso das enguias, moréias etc., até as achatadas, como as arraias, além das completamente atípicas, como a dos hipocampos, ou cavalos-marinhos.
As nadadeiras são expansões membranosas sustentadas por um suporte ósseo ou cartilaginoso e algumas delas estão relacionadas com o esqueleto. Podem ser ímpares (dorsal, anal e caudal) ou pares (peitorais, e ventrais, estas também chamadas pélvicas). A caudal impulsiona o peixe, a anal e a dorsal são utilizadas como elementos estabilizadores, enquanto que as pares -- que correspondem aos quatro membros dos outros vertebrados -- funcionam como lemes.
O corpo dos peixes é recoberto por um tegumento dotado de glândulas que secretam muco, o que os torna escorregadios e lhes facilita a locomoção, de vez que assim fica menor a resistência oposta pela água. Algumas espécies, como a das arraias, têm também glândulas venenosas. A derme apresenta formações características denominadas escamas, constituídas de materiais córneos que protegem o tegumento. As escamas placóides, dos peixes de esqueleto cartilaginoso, compõem-se de uma camada óssea e dentina, enquanto que as da maioria dos peixes mais comuns são constituídas de uma dupla camada óssea.
O esqueleto é formado principalmente pelos ossos do crânio e pela coluna vertebral. No caso dos condrictes (tubarões, arraias), é cartilaginoso. teleósteos -- que constituem a grande maioria das espécies -- têm esqueleto ósseo, originado pelo depósito de sais de fósforo e de cálcio, além de substâncias protéicas. A maior parte da massa muscular dos peixes é formada pelos músculos somáticos, sobretudo os que constituem o tronco, tanto em sua zona dorsal quanto na ventral, separadas as duas regiões por um tabique longitudinal de tecido conjuntivo, o septo horizontal. Outros elementos musculares localizam-se na cabeça (músculos oculares e hipobranquiais), nas nadadeiras ou em torno das vísceras.
Os peixes são polifiodontes, ou seja, têm numerosas dentições. Seus dentes são cônicos, e quando se desgastam surgem outros, novos, numa sucessão indefinida. Algumas espécies, como é o caso do cavalo-marinho, não têm dentes na fase adulta, enquanto outras, como a dos tubarões, apresentam várias fileiras de dentes, muito fortes e agudos. O aparelho digestivo é formado de cavidade bucal, faringe, esôfago, estômago e intestino. O estômago em geral se confunde com o esôfago, muito curto. Muitas espécies dispõem de prolongamentos unidos ao intestino que às vezes se agrupam em massas densas por meio de tecido conjuntivo e aumentam a capacidade de armazenamento do tubo digestivo. Os peixes possuem fígado e pâncreas bem desenvolvidos. Os tubarões e outros peixes cartilaginosos têm no intestino uma dobra formada por numerosas voltas: é a válvula espiral, que aumenta consideravelmente a superfície de absorção das paredes intestinais.
A respiração se realiza por meio de brânquias, estruturas localizadas na parte posterior da cabeça. São formadas de um conjunto de pequenas lâminas com grande irrigação sangüínea, nas quais ocorrem o intercâmbio gasoso com o meio e a absorção do oxigênio disperso na água. O líquido entra pela boca, atravessa a faringe, chega às brânquias e sai por uma série de orifícios branquiais ou por uma grande abertura posterior localizada junto ao opérculo. Os peixes pulmonados apresentam também uma cavidade em forma de saco, que se comunica com o esôfago e desempenha o papel de pulmão. Esse órgão, semelhante à bexiga natatória dos demais peixes, é o regulador do fluxo e da pressão dos líquidos no organismo.
O sistema circulatório é simples, com um único circuito que conduz o sangue até as brânquias, onde ocorre a oxigenação, e em seguida o leva às demais vísceras e tecidos do corpo. É composto de coração, formado por duas câmaras, uma aurícula e um ventrículo; pelas aortas ventral e dorsal; por um conjunto de vasos secundários e pelo sistema venoso, que drena o organismo e faz o sangue retornar às brânquias.
Tal como ocorre com os demais vertebrados, o sistema nervoso do peixe consta de duas unidades principais: o encéfalo, contido no crânio, e a medula espinhal, da qual derivam os nervos que se estendem por todo o corpo. O olfato é muito desenvolvido, como indica a presença de dois proeminentes lóbulos encefálicos olfativos. Os olhos percebem com grande precisão qualquer movimento que se produza nas imediações, mas a captação das formas dos objetos é bem mais deficiente. Como órgão sensorial específico, os peixes apresentam a linha lateral, que atravessa longitudinalmente o corpo em seus dois flancos em forma de franja e se comunica com o meio por uma série de orifícios, onde existem células especializadas que captam as alterações de pressão da água.
Os sexos são diferenciados, não existem espécies hermafroditas e a fecundação é externa. Em muitas espécies, o número de ovos chega a vários milhões. Tão alta fecundidade serve para compensar a grande mortalidade sofrida pelos animais nas primeiras fases de seu desenvolvimento. A maioria das espécies abandona os ovos logo após a postura, mas algumas os protegem, resguardando-os em locais cobertos, como depressões na areia, cavidades etc. ou mesmo incubando-os no corpo, como ocorre com o cavalo-marinho, caso em que o encarregado da incubação é o macho. Nas tilápias e em algumas outras espécies, os alevinos, tão logo saídos do ovo, refugiam-se na boca do pai quando se sentem ameaçados.

Habitat. A maior parte dos peixes pertence a espécies marinhas e vive em pleno oceano ou em zonas próximas à costa, em alguns casos relativamente perto da superfície e em outros em escuras regiões abissais. Sua alimentação é muito variada: há espécies que se nutrem de algas e outros vegetais e outras consomem invertebrados e outros peixes.
Existem espécies que vivem somente em rios e outras massas de água doce, como as das carpas e trutas, e outras, como a dos salmões, que sobem os rios para desovar e depois que os ovos eclodem e os indivíduos alcançam o estado juvenil, retornam ao mar. Caso diferente é o das enguias, que nascem no mar, passam a vida nos rios e voltam a seu meio de origem para a desova. Nesse percurso, que pode ter milhares de quilômetros, os peixes se guiam por estímulos sensoriais, entre os quais se destacam os olfativos, gustativos e térmicos.
É curioso o caso dos peixes pulmonados que vivem em meios de água doce no interior dos continentes em regiões onde ocorrem secas. Eles conseguiram se adaptar a essas duras condições com o desenvolvimento de cavidades semelhantes a pulmões, com as quais respiram o oxigênio do ar. Alguns deles entram em letargia nas épocas mais quentes, enterrados na lama, numa toca com abertura para o exterior, pela qual chega o ar de que necessitam. Adaptações também muito complexas são sofridas pelos peixes que vivem nas grandes profundidades oceânicas, como algumas enguias, e são dotados de órgãos luminosos. Os peixes planos, como o linguado, vivem semi-enterrados em zonas arenosas próximas ao litoral e têm, em conseqüência, os dois olhos do mesmo lado do corpo. Há peixes que exibem comportamento de defesa territorial e outros que, para atrair a atenção das fêmeas, executam movimentos para induzir o acasalamento.

Classificação sistemática. Os peixes se dividem em cinco classes: placodermos, cujos representantes são todos fósseis; ágnatos, com esqueleto cartilaginoso e sem maxilar inferior; coanictes, que têm as aberturas das fossas nasais na cavidade oral; condrictes, com esqueleto de natureza cartilaginosa; e actinopterígios, classe de peixes com nadadeiras raiadas na qual se inclui a maior parte das espécies atuais. A classe dos condrictes se divide nas subclasses dos elasmobrânquios e dos holocéfalos. Entre os primeiros se encontram os tubarões e as arraias, que se caracterizam pela válvula em espiral do intestino e um número de brânquias que oscila entre cinco e sete pares. Os holocéfalos, por sua vez, são representados pelas quimeras. Os coanictes, ou sarcopterígios, dividem-se na subclasse dos dipnóicos (ou pulmonados), com três únicos gêneros (o Protopterus, africano, o Lepidosiren, sul-americano, e o Neoceratodus, australiano); e na dos crossopterígios. A classe dos actinopterígios divide-se em três subclasses: condrósteos, holósteos e teleósteos.
Os actinopterígios mais primitivos são os condrósteos, que têm cauda semelhante à dos tubarões e cujo esqueleto é só parcialmente ossificado; a esta subclasse pertence o esturjão (Acipenser sturio), de cujas ovas se prepara o caviar. Uma ordem dos teleósteos muito primitiva e de grande importância econômica é a dos clupeiformes, que conta com espécies como a sardinha (Sardina pilchardus), o arenque (Clupea harengus) e a manjuba (Lile piquitinga), todos peixes de mar; o salmão (Salmo salar), que divide seu ciclo vital entre o mar e os rios; e a truta (Salmo trutta), própria do meio fluvial. São teleósteos também os peixes pertencentes à ordem dos cipriniformes, como a carpa (Ciprinus carpio), o barbo (Barbus barbus) e o peixe vermelho de aquário (Carassius auratus); as espécies da ordem dos angüiliformes, muito compridas e semelhantes a cobras, como é o caso da enguia comum (Anguilla anguilla) e das moréias, algumas das quais medem mais de três metros. Os singnatiformes são os cavalos-marinhos, dos quais a espécie mais conhecida é a Hippocampus guttulatus. Além da forma curiosa, insólita para um peixe, o cavalo-marinho apresenta placas ósseas que lhe recobrem o corpo. Ele se mantém em posição vertical quando nada, e sua cauda é preênsil.
Muitas espécies da subclasse dos teleósteos despertam interesse pelo aspecto peculiar e por seu comportamento incomum. São os casos, por exemplo, do baiacu-de-espinho (Diodon hystrix), que quando fica assustado estufa o corpo, transformando-o numa bola eriçada de espinhos; da rêmora (Echeneis remora), que adere ao corpo de outros peixes e a cascos de navios e assim é transportada pelos mares; do peixe-voador (Exocoetus volitans), que graças a nadadeiras peitorais muito desenvolvidas consegue planar acima da superfície da água após um salto inicial; e do peixe-elétrico, ou poraquê (Electrophorus electricus), capaz de produzir descargas elétricas em quem o tocar.

AVES - Alimentação - Características - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.


AS AVES

 Assim como os mamíferos, as aves são descendentes dos répteis. O arqueópterix é o mais antigo fóssil conhecido de ave e data de aproximadamente 140 milhões de anos atrás.

            O arqueópterix era um pouco maior que uma pomba e possuía cauda longa, percorrida pela coluna vertebral, como os répteis. Também possuía mandíbulas ósseas com dentes, como os répteis. Mas tinha a mais marcante característica das aves: as penas. Tinha três dedos com garras nas asas.

            Há cerca de 65 milhões de anos, com a extinção da maioria dos répteis, como os dinossauros, houve uma grande diversificação das aves, que passaram a povoar mais amplamente os diversos ambientes terrestres.

            Como evidência  encontrou-se perto de Solnhofen, região da Bavária, na Alemanha, um fóssil de Archaeopteryx lithographica, do tamanho de um pombo. No Cretáceo havia aves com dentes, em Kansas e Montana, EUA, foi encontrado Hesperornis sp. com cerca de 1,5m de comprimento. Originaram-se de répteis delgados de cauda longa e bípedes, que corriam rapidamente. As penas assim como as escamas dos répteis tem um crescimento inicial igual.

            No início apareceram escamas móveis, antes da endotermia e sem relação com o vôo. Acredita-se que o vôo teve início a partir de barrancos, montanhas e sobre a vegetação quando corriam em alta velocidade, penetrando em um nicho aéreo pouco explorado. O vôo planado inicialmente requereu a endotermia. Para o vôo houve a necessidade da redução do peso corporal, com os ovos se desenvolvendo fora do corpo materno, perda de bexiga na maioria das espécies, aeração e reforço dos ossos. A visão seguido da audição foram os sentidos que mais se desenvolveram. A grande mobilidade e necessidade de comunicação a grandes distâncias promoveram uma elaboração de voz, que varia de acordo as espécies.


Características gerais:

Corpo: Coberto com penas.

Dois pares de Extremidades: Anterior transformado em asas e posterior com pernas e pés, com 4 dedos, geralmente.

Esqueleto: Delicado, Forte e ossificado com ossos fundidos e aerados. Crânio com côndilo occipital. Pelve fundida a numerosas vértebras. Esterno grande geralmente com quilha mediana e com poucas vértebras caudais.

Coração : Com 4 câmaras ( 2 A + 2 V ) , persiste o arco aórtico sistêmico.
Respiração :  Pulmões compactos preso às costelas e ligados a sacos aéreos.
Excreção : Rins metanéfricos, urina semi-sólida, ácido úrico e sem bexiga. A excreção é feita através de uma cloaca e ânus terminal.
Fecundação :  Interna e Cruzada. Possui segmentação meroblástica.
Reprodução: Seres geralmente com dimorfismo sexual. Postura de ovos com casca calcária e necessidade de incubação. Cuidado parental com os filhotes, na maioria dos casos.

Nervos cranianos: Em doze pares.

Siringe: Caixa vocálica localizada na traquéia.

Bico: Substitui a boca, se projeta como bainha córnea.

Pescoço: Longo e flexível. Com as veias jugulares cruzadas.

Aparelho digestivo: Completo, apresentando uma moela onde o alimento é triturado .

Circulação: Fechada . Com sistema porta hepático e sistema porta renal reduzido.

Uropígio: Glândula responsável pela produção de substância oleosa para impermeabilizar e dar elasticidade para as penas.

Endotérmicas: Possuem temperatura corpórea estável.


               


            As aves são animais homotérmicos e ovíparos, pois botam ovos. As aves também têm dimorfismo sexual, ou seja, a aparência do macho é diferente da fêmea. Quando recém-nascidas elas têm o corpo nu, com pequenas plumas espalhadas pelo corpo.

            As penas das asas são grandes, resistentes e têm a função de impulsionar a ave para o vôo. Já as penas caudais ajudam no vôo. As penas aquecem o corpo das aves e têm grande importância, em algumas aves, no acasalamento.

            As aves aquáticas têm na região caudal a glândula uropígio, que produz uma secreção oleosa para lubrificar as penas, ajudando assim a elas não encharcarem com a água. Os ossos das aves são pneumáticos, isto é, ossos ocos.

            Os alimentos das aves são os mais variados: frutos, néctar, sementes, insetos, vermes, peixes, moluscos, e pequenos vertebrados.

Veja como é o sistema digestivo das aves:

- Bico: importante na captura e preparo de alimentos;
- Papo: onde se armazena e amolece o alimento antes de ir para o estômago químico;
- Estômago químico: onde se inicia a digestão;
- Moela: onde é triturado pelas contrações dos músculos;
- Cloaca: por onde sai os restos não triturados, misturados à urina.


Alimentação
Frugívoros: De frutas. (Papagaio, tiriba, saíra, gaturamo, inhambu..)

Onívoros: Diversos tipos de alimentos. (Bem-te-vi, sabiá, pardal..)

Carnívoros: De carne vermelha e artrópodes.(Falcão, gavião, coruja..)

Piscívoros: De peixes. (Martim pescador, atobá..)

Necrófagos: De carniças. (Urubu, gaivotão..)

Insetívoros: De insetos. (Andorinha, pica-pau..)

Malacófago: De moluscos. (Caramujeiro..)

Nectarívoro: De néctar das flores. (Beija-flor..)

Fitófagos: De plantas. (Cigana..).


Determinação do Sexo em Aves

Determinar o sexo em aves é muito difícil, pois os filhotes raramente mostram uma morfologia ligada ao sexo, e estima-se que quando adultos, machos e fêmeas parecem idênticos em mais de 50% das aves do mundo. Isto se torna um problema para estudos evolucionários e para a criação assistida das aves.

Griffiths, da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, desenvolveu um teste de DNA que ajuda a resolver este problema. Este teste consiste na identificação, em um indivíduo, de dois genes chamados CHD (cromo-helicase ligadora de DNA) conservados que estão localizados nos cromossomos sexuais de todas as aves (com a exceção para os ratitos). O gene CHD-W está presente no cromossomo W, único para fêmeas (ZW), e o gene CHD-Z é encontrado no cromossomo Z, que ocorre nos dois sexos (macho é ZZ).

Este é um teste simples, no qual o gene retirado de qualquer célula nucleada do indivíduo pode ser identificado. Após sua amplificação pela técnica do PCR (cadeia de reação da polimerase), com primers específicos desenvolvidos pelo pesquisador, ele é passado em um gel de eletroforese. Neste gel, as fêmeas apresentarão 2 bandas, correspondentes ao dois genes: CHD-W e CHD-Z, enquanto os machos apresentarão apenas a banda correspondente ao gene CHD-Z. Desta forma, a identificação do sexo das aves pode ser feita de forma simples, rápida e segura com a utilização deste teste.


As Aves Antárticas
        A fauna antártica, de modo geral, é caracterizada, basicamente, pela pequena variedade de espécies, grande número de indivíduos e pelo ciclo sucessivo de migração.

           

                                                                                           


          O Pinguim é exemplo de uma ave antártica

Na Antártica, existe uma pequena variedade de aves se comparadas, por exemplo, com as aves da Amazônia. Em contrapartida, as aves antárticas apresentam-se em quantidades muito superiores. Podem-se encontrar mais de 2 milhões de albatrozes de uma única espécie, reunidos num mesmo local, na época de procriação, ou mesmo colônias de pingüins com 1,5 milhões de indivíduos.

     







 O reduzido número de espécies de aves deve-se à cadeia alimentar bastante simplificada, com poucas opções alimentares e a pouca disponibilidade de locais adequados à reprodução. O rigor do clima não é o fator principal para o reduzido número de espécies, já que existem imensas populações de aves de uma determinada espécie que, evidentemente, estão adaptadas às condições alimentares e de procriação disponíveis nas regiões antárticas.

        As aves mais características da Antártica são os pingüins. São bastante adaptados à vida aquática. Suas asas transformaram-se em verdadeiros remos, nadam com bastante rapidez, atingindo velocidades de até 40 quilômetros por hora, chegando a mergulhar até 250 metros de profundidade, permanecendo submersos por até 18 minutos. No mar, avançam saltando para fora d"água como os golfinhos, para diminuir o atrito com a água e para respirar. A maior parte das espécies habitam regiões de água fria e, para reduzir a perda de calor, possuem uma grossa camada de gordura sob a pele e uma espessa proteção de penas. Sempre que retornam do mar, os pingüins fazem a impermeabilização de suas penas, que são untadas com óleo retirado de uma glândula especial. Esse procedimento, efetuado com o bico, confere um eficiente isolamento hídrico e térmico para enfrentar os rigores do clima.

        Os pingüins possuem uma grande capacidade de adaptação tanto à vida na terra quanto no mar. O branco de seu ventre ilude os predadores que vem de baixo, como as focas e as baleias, e o preto do dorso engana as aves de rapina, como as skuas e os petréis, que observam do alto. De todas as espécies de pingüins que habitam a Antártica, somente o pingüim-imperador e o pingüim-adélia nidificam no Continente Antártico. As demais espécies ocupam a Península Antártica e ilhas próximas e outras ilhas subantárticas.

        Os seus principais predadores são as skuas que atacam os seus ninhos, "roubando" ovos e filhotes. Os ninhos vazios permanecem ocupados pelos pais, contribuindo para a proteção da colônia, revelando um elevado caráter de proteção de grupo. Assim procedendo, evitam que ninhos mais do interior da colônia sejam predados pelas skuas. No mar, são predados por algumas espécies de focas, que atacam tanto os filhotes quanto os adultos.

        A skua, Catharacta skua, ou gaivota rapineira, é também uma das aves mais características da Antártica. Possui bico forte em forma de gancho e plumagem escura. Essas aves são bastante agressivas e defendem seu território contra todos os invasores, inclusive o homem, lançando-se em vôo rasante sobre ele. Possuem uma atração especial por ovos e pequenos filhotes de pingüins. As skuas vivem em casais e seus ninhos são covas construídas nos musgos, onde põem de um a dois ovos de um verde cinza-oliva com manchas escuras. Seus filhotes são de cor marrom acinzentado claro. Uma característica interessante dessas aves é que elas podem migrar para o Ártico, durante o inverno antártico. Em 1979, uma skua polar, anilhada para estudo, próxima à estação americana Palmer, foi encontrada seis meses depois por esquimós na Groenlândia, tendo percorrido 14 mil quilômetros.

        Os petréis são aves meramente marítimas que, em período de procriação, procuram o Continente Antártico ou as suas ilhas. Existem nos mais variados tamanhos e suas narinas localizam-se na parte superior do bico. O petrel-gigante, Macronectes giganteus, possui envergadura de aproximadamente 2,10 metros. Seu corpo tem cerca de 90 centímetros. Geralmente são da cor marrom, com a cabeça um pouco mais clara. Certos exemplares têm coloração branca, com manchas pretas no corpo. Seus filhotes são da cor branca. Os petréis-gigantes alimentam-se de qualquer animal recentemente morto ou já em decomposição, mas também caçam, especialmente, pingüins.

        A pomba-do-cabo, Daption capense, tem a cabeça negra e o dorso branco com numerosas pintas escuras. São localizadas, freqüentemente, nas proximidades das embarcações, em grupos de muitos indivíduos. Fazem seus ninhos entre as rochas, nas saliências das escarpas à beira-mar e alimentam-se de peixes.

        Já a pomba-antártica, Chionis alba, vive nas colônias de pingüins onde constrói seu ninho e alimenta-se, preferencialmente, das fezes de pingüins, ricas em proteínas. É inteiramente branca e o bico tem uma placa achatada, terminando numa ponta fina.

        O biguá tem pescoço comprido e o bico recurvado é fino e longo. A coloração negra recobre o dorso, a cabeça e o bico, enquanto o ventre é inteiramente branco e os olhos azuis. A cor dos olhos faz com que seja chamado biguá-de-olhos-azuis, Phalacrocorax atriceps. Fazem seus ninhos em pequenos montes formados de lama, fezes, penas e restos de vegetais e são utilizados, todos os anos, pelos mesmos indivíduos daquela colônia.

        Os trinta-réis são gaivotinhas ou andorinhas-do-mar. Têm corpo delicado com cerca de 38 centímetros de comprimento e são providos de um bico fino e pontudo. O trinta-réis antártico, Sterna vittata, alimenta-se de peixes, pescando-os em vôo de queda livre. O trinta-réis do Polo Norte, Sterna paradisae, é um visitante do Ártico. Nidifica, exclusivamente, no Ártico e migra para a Antártica, fugindo dos rigores dos invernos polares, vivendo nos extremos do planeta, onde os dias são permanentes durante os verões, talvez seja o animal da Terra que mais vê a luz solar.


Curiosidades:

A Ema é a maior ave sul-americana, pesa mais de 35Kg. Seus ovos de 14x8 pesam 700g. Essa espécie tem a ninhada com cerca de 40 ovos, que incubam em 42 dias.
Muitos pensam que as penas das aves servem apenas para cobrir e proteger o corpo. Mas não é só isso. As penas das asas, por exemplo, ajudam a levantar vôo, descer, imprimir maior ou menor velocidade, planar, etc. As penas das asas recebem o nome de rêmiges.
            As penas das caudas são o"leme" das aves e servem para orientar a direção do vôo. São chamados retrizes.
            As penas que cobrem o corpo da ave quando adulta chamam-se tetrizes.
            Existe ainda a penugem, que é uma camada de penas minúsculas e macias, presa diretamente na pele das aves. Funciona como isolante térmico, impedindo que a ave perca calor.
            As penas podem ser recobertas por um tipo de óleo produzido pelas glândulas uropigianas. Essas glândulas estão localizadas próximas ao ânus. A ave recolhe esse óleo com o pico e passa-o cuidadosamente em todas as penas. As aves aquáticas tornam-se impermeáveis e dessa maneira não afundam. Essa característica também colabora durante o vôo. Se a ave estiver voando sob chuva, as gotas escorrerão pelas penas e não aumentarão o peso da ave.