quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hífen - O uso do hífen - Dicas de Português



O uso do hífen – 1ª parte

Devemos usar o hífen:

1) Para dividir sílabas: or-to-gra-fi-a, gra-má-ti-ca, ter-ra, per-dô-o, ra-i-nha, trans-for-mar, tran-sa-ção, su-bli-me, sub-li-nhar, rit-mo…

2) Com pronomes enclíticos e mesoclíticos: encontrei-o, recebê-lo, reunimo-nos, encontraram-no, dar-lhe, tornar-se-á, realizar-se-ia…

3) Antes de sufixo -(GU)AÇU, -MIRIM, -MOR: capim-açu, araçá-guaçu, araçá-mirim, guarda-mor…

4) Em compostos em que o primeiro elemento é forma apocopada (BEL-, GRÃ-, GRÃO- …) ou verbal: bel-prazer, grã-fino, grão-duque, el-rei, arranha-céu, cata-vento, quebra-mola, pára-lama, beija-flor…

5) Em nomes próprios compostos que se tornaram comuns: santo-antônio, dom-joão, gonçalo-alves…

6) Em nomes gentílicos: cabo-verdiano, porto-alegrense, espírito-santense, mato-grossense…

7) Em compostos em que o primeiro elemento é numeral: primeiro-ministro, primeira-dama, segunda-feira, terça-feira…

8. Em compostos homogêneos (dois adjetivos, dois verbos): técnico-científico, luso-brasileiro, azul-claro, quebra-quebra, corre-corre, zigue-zague…

9) Em compostos de dois substantivos em que o segundo faz papel de adjetivo: carro-bomba, bomba-relógio, laranja-lima, manga-rosa, tamanduá-bandeira, caminhão-pipa…

10) Em composto em que os elementos, com sua estrutura e acento, perdem a sua significação original e formam uma nova unidade semântica: copo-de-leite, pé-de-moleque, couve-flor, tenente-coronel, pé-frio, unha-de-fome…

Teste da semana

Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da frase
“_________ V.Sa. com ____________ subordinados os cuidados que tem ________________.”
(a) tende / vossos / convosco mesmo;
(b) tenha / vossos / consigo mesma;
(c) tenha / seus / convosco mesmo;
(d) tende / vossos / consigo mesmo;
(e) tenha / seus / consigo mesmo.

Resposta do teste: Letra (e). Vossa Senhoria é pronome de tratamento. A concordância é a mesma de VOCÊ, ou seja, deve ser feita com verbos e pronomes de terceira pessoa: “TENHA Vossa Senhoria com SEUS subordinados os cuidados que tem CONSIGO mesmo”.

Palavras recentes publicadas em dicionário. - Vocabulário Ortográfico publicado pela Academia Brasileira de Letras.- Dicas de Português



Vejamos alguns exemplos que já aparecem registradas nas mais recentes edições de nossos principais dicionários e no Vocabulário Ortográfico publicado pela Academia Brasileira de Letras.

1. abóbada (e abóboda);
2. aborígene (e aborígine);
3. arteriosclerose (e aterosclerose);
4. assobiar (e assoviar);
5. aterrissar (e aterrizar);
6. babador (e babadouro);
7. bêbado (e bêbedo);
8. bebedouro (e bebedor);
9. berinjela (e beringela);
10. botijão (e bujão);
11. caatinga (e catinga);
12. chimpanzé (e chipanzé);
13. descarrilar (e descarrilhar);
14. diabetes (e diabete);
15. dignitário (e dignatário);
16. doceria (e doçaria);
17. estada (e estadia);
18. garagem (e garage);
19. hidrelétrica (e hidroelétrica);
20. infarto (infarte e enfarte e enfarto);
21. listra (e lista);
22. loura (e loira);
23. octacampeão (e octocampeão);
24. percentagem (e porcentagem);
25. quatorze (e catorze);
26. cota (e quota);
27. cotidiano (e quotidiano);
28. reescrever (e rescrever);
29. seriíssimo (e seríssimo);
30. subumano (e sub-humano);
31. taberna (e taverna);
32. tataraneto (e tetraneto);
33. televisionar (e televisar);
34. termelétrica (e termoelétrica);
35. terraplenagem (e terraplanagem);
36. trecentésimo (e tricentésimo);
37. voleibol (e volibol);
38. xucro (e chucro).

ACENTUAÇÃO - Acentos gráficos - Dicas de Português



As dúvidas quanto ao uso dos acentos gráficos.
Vejamos alguns casos.

1. SECRETÁRIA ou SECRETARIA?
SECRETÁRIA é a pessoa; SECRETARIA é o lugar.
REGRA: Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em ditongo:
SE-CRE-TÁ-RIA, a-é-reo, núp-cias, sé-rie, cá-ries, ób-vio, re-ló-gio, nó-doa, má-goas, á-gua, tá-buas, tê-nue, o-blí-quo, ár-duos, au-tóp-sia, fa-mí-lia, prê-mio, am-bí-guo, lon-gín-quo, en-xá-guas, de-sá-guam, mín-güem, bi-lín-güe…

OBSERVAÇÃO: Não haverá acento se a palavra terminar em hiato:
SE-CRE-TA-RI-A, ele ma-go-a, ele a-ve-ri-gu-a, a-pa-zi-gu-a, ar-gu-o, que eu ar-gu-a, ele in-flu-en-ci-a, ele no-ti-ci-a, eu pre-mi-o, ma-qui-na-ri-a …

2. RÚBRICA ou RUBRICA?

O certo é RUBRICA.
É uma palavra paroxítona terminada em “a”. Se fosse proparoxítona teria
acento.
REGRA: Todas as palavras proparoxítonas ( = sílaba tônica na antepenúltima sílaba) devem receber acento gráfico: álcool, álibi, amássemos, amávamos,
cágado, científico, depósito, devíamos, devidi-lo-íamos, êxodo, fôssemos, hábito, ímprobo, ínterim, ômega, pântano, plêiade, protótipo, repórteres, vermífugo…

OBSERVAÇÃO 1: Embora a forma acentuada seja aceitável, segundo a tradição as palavras deficit e habitat não têm acento gráfico porque são latinismos (palavras latinas que não foram aportuguesadas). Em textos do dia-a-dia, prefiro a forma acentuada: déficit, hábitat, superávit…

OBSERVAÇÃO 2: Cuidado com algumas palavras que não têm acento gráfico porque verdadeiramente são paroxítonas: avaro, aziago, ciclope, decano, erudito, filantropo, ibero, inaudito, pudico, refrega, rubrica …

3. APÔIO ou APOIO ou APÓIO?

“APÔIO” não existe;
APOIO é substantivo: “Preciso do seu apoio.”
APÓIO é verbo: “Eu apóio este candidato.”
REGRA: Acentuam-se as palavras que apresentam ditongos abertos:
ÉU: céu, réu, chapéu, troféus…
ÉI: papéis, pastéis, anéis, idéia, assembléia…
ÓI: dói, herói, eu apóio, esferóide…

OBSERVAÇÃO 1: Não se acentuam os ditongos fechados:
EU: seu, ateu, judeu, europeu…
EI: lei, alheio, feia…
OI: boi, coisa, o apoio…

OBSERVAÇÃO 2: No Brasil, colméia e centopéia são pronunciados com o timbre aberto.

Teste da semana:

Assinale a opção que completa corretamente a frase “Ela __________ não sabia se as declarações deviam ir ou não ir ___________ ao processo.”
a) mesma / anexas;
b) mesmo / anexo;
c) mesma / em anexas;
d) mesmo / anexas;
e) mesma / anexo.

Resposta do teste:
Letra (a). A palavra MESMO, quando significa “próprio”, é um pronome de reforço e deve concordar com a palavra a que se refere: “Ela mesma”. O adjetivo ANEXO deve concordar com o substantivo a que se refere: “as declarações…anexas”. Seria aceitável também a forma EM ANEXO, que é invariável.

ARTIGOS - O uso dos artigos - Dicas de Português



O uso dos artigos.

Será que eles são necessários?

Uso dos ARTIGOS

Nas chamadas, a tendência do jornalismo é suprimir os artigos, sobretudo os definidos. Há situações, entretanto, em que os artigos definidos são obrigatórios:

1) Mudança de sentido: “Foi flagrado em prédio da Prefeitura” é diferente de “Foi flagrado no prédio da Prefeitura”. No primeiro caso, a Prefeitura tem pelo menos dois prédios; no segundo, apenas um;

2) Nomes de pessoas: Embora seja um caso facultativo, o melhor é evitar o uso do artigo: “A carreira de Edmundo está ameaçada” (e não “do Edmundo”); “A administração de Marta Suplicy…” (e não “da Marta”). A presença do artigo definido antes dos nomes de pessoas dá um caráter de intimidade;

3) Nomes de cidades: São poucos os que exigem artigo: o Rio de Janeiro, o Porto, o Cairo, o Havre. Quando o nome da cidade é caracterizado por alguma expressão, o artigo se torna obrigatório: “O apresentador passou a infância na pacata Dois Córregos“. Com Recife, o artigo é optativo: “Choveu muito em/no Recife“;

4) Nomes de estados brasileiro: Os que não admitem artigo são: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Com Alagoas e Minas Gerais, o artigo é optativo, mas o melhor é usar sem artigo. Os demais estados brasileiros exigem o artigo;

5) Nomes de países: Em geral, pedem artigo: o Peru, a Itália, o Brasil, a Argentina, o Chile, a Venezuela, o Uruguai, a Bolívia, o Paraguai, a Espanha, o Gabão, a Alemanha etc. Mas não são poucos os que rejeitam o artigo: Cuba, Marrocos, Israel, Angola, Moçambique, Andorra, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Portugal, São Marino etc.;

6) Possessivos: O artigo é optativo. Em textos jornalísticos, prefere-se sua omissão: “O governador afirmou que a questão está na mão de seus assessores”; “O treinador disse que seu esquema tático depende do adversário”. Atenção: no caso de frases comparativas, em que se subentende a segunda ocorrência do substantivo, o artigo é obrigatório antes do possessivo: “O esquema tático dos argentinos foi melhor do que o nosso“;

7) Enumerações de substantivos que exigem artigo: O artigo é obrigatoriamente repetido: “Neste semestre, o presidente visitará a Espanha, a Itália, o Peru e o Chile“; “O Flamengo precisa derrotar o Vasco, o Palmeiras e o Corinthians“;

8) Adjetivo no superlativo: O artigo é obrigatório: “A atriz será operada por Ivo Pitanguy, o cirurgião plástico brasileiro mais conhecido no exterior” (e não “Pitanguy, cirurgião plástico brasileiro mais conhecido no exterior”);

9) Com horário: O artigo é obrigatório: “As lojas do shopping ficam abertas das 9h às 22h” (e não “de 9h a 22h”). A ausência do artigo muda o sentido. No segundo caso, acaba-se informando o número de horas de funcionamento das lojas;

10) Uso exagerado do artigo indefinido: O artigo indefinido muitas vezes é usado inutilmente: “O prefeito afirmou que no mês que vem encaminhará à Câmara um outro projeto de lei”; “Para ficar no Corinthians, Vampeta exigiu um aumento salarial”. Basta dizer que o prefeito apresentará outro projeto de lei e que Vampeta exigiu aumento salarial. Uma boa maneira de evitar esse abuso é verificar como fica a frase sem o artigo indefinido. Se não fizer falta, deve ser eliminado.

Teste da semana:

Assinale a opção que completa corretamente a frase “Ainda _________ furiosa, mas com __________ violência, proferia injúrias __________ para escandalizar os mais arrojados.”

a) meia / menas / bastantes;
b) meia / menos / bastante;
c) meio / menos / bastante;
d) meio / menos / bastantes;
e) meio / menas / bastantes.

Resposta do teste:
Letra (d). A palavra MEIO, quando se refere a um adjetivo (=furiosa) e significa “mais ou menos, um tanto”, é advérbio de intensidade. Isso significa que é invariável: “Ela estava MEIO furiosa”. A forma “menas” não existe, por isso “MENOS violência”. E a palavra BASTANTE, quando significa “suficiente”, é adjetivo e deve concordar com o substantivo a que se refere: “injúrias bastantes” = injúrias suficientes.

Cacófatos - CACOFONIA fere os ouvidos e o bom gosto - Clichês - Dicas de Português



Você se lembra dos cacófatos?

Você sabe o que são clichês?

CACOFONIA fere os ouvidos e o bom gosto.
Conheça alguns exemplos:

1. “Como ela, a coordenadora da campanha ‘Se Liga 16’,…”
2. “Tijuca ganha mais uma.”
3. “O atletismo é o esporte que havia dado mais medalhas para o Brasil.”
4. “Na vez passada, foi diferente.”
5. “Deu um beijo na boca dela.”
6. “Este detalhamento será executado por cada um dos setores.”
7. “Isso ocorreu por razões desconhecidas.”
8. “Hoje foi dia de ensaio geral.”
9. “Com o fim do pool das companhias de ônibus…”
10 “Flávio Conceição pediu a bola e Cafu deu.”

Problemas fonéticos diferentes (não são cacófatos) que também ferem os ouvidos:
11. “O consumidor denuncia e o Procon confirma.”
12. “Polícia desarma mais uma bomba…”
13. “Uma máquina vai testar a resistência dos móveis…”
14. “Restos da bomba foram levados para a perícia no Paraná.”
15. “A equipe apresenta-se muito bem preparada tanto fisicamente como tecnicamente.”
A solução é: “A equipe apresenta-se muito bem preparada física e tecnicamente.”

CLICHÊS são expressões batidas e repetitivas que empobrecem o estilo. Evite.
Exemplos:
1. O agente da lei teve que invadir a aeronave.
2. Ao apagar das luzes, o Palmeiras conseguiu dar a volta por cima e, finalmente, fez as pazes com a vitória.
3. O Chefe do Executivo respondeu em alto e bom som.
4. Via de regra, esse tipo de notícia estoura como uma bomba no congresso nacional.
5. É preciso aparar as arestas e chegar a um denominador comum.
6. Foi dar o último adeus ao amigo, e foi obrigado a dizer cobras e lagartos para o administrador do cemitério.
7. Sua explicação deixou a desejar.
8. Nada vai empanar o brilho da sua conquista.
9. Sua contratação veio preencher uma lacuna.
10. Vamos encerrar com chave de ouro.
11. O atacante estava completamente impedido.
12. O todo-poderoso Manchester United perdeu para um desconhecido clube da terceira divisão.
13. A festa não tem hora para acabar, mas amanhã o carioca volta à dura realidade.
14. São imagens impressionantes que nos deixam uma lição de vida.
15. Mas nem só de shows vive a cantora.
16. Muitos finalmente poderão realizar o sonho da casa própria.
17. Resta saber se o governo vai pôr a idéia em prática.
18. Bandidos fortemente armados invadiram o banco e transformaram o saguão numa verdadeira praça de guerra.
19. E o cidadão tupiniquim continua sua via crucis.
20. A fúria da natureza deixou um rastro de destruição.
21. As ruas viraram verdadeiros rios e o barco era o único meio de transporte.
22. O artista foi recepcionado por um batalhão de repórteres e cinegrafistas.
23. A ousadia dos traficantes não tem limites.
24. Para você ter uma idéia, eram 20 quilos de cocaína pura.
25. Cinco times ainda lutam para fugir do fantasma do rebaixamento.

Teste da semana:

Assinale a opção que completa corretamente a frase “Sei que entre ______ e ______ sempre _____________ certos desentendimentos, mas agora você se ____________ porque o diretor ameaçou despedir todos os funcionários que discutam aqui dentro.”

a) mim / você / houve / previna;
b) eu / você / houve / previna;
c) eu / ti / houve / precavenhas;
d) mim / ti / houve / precavenhas;
e) mim / si / houveram / precavenha.

Resposta do teste:
Letra (a). “Eu” é pronome pessoal do caso reto. Deve ser usado na função de sujeito. A presença da preposição “entre” e o fato de ser um complemento exige o uso de um pronome pessoal oblíquo tônico (=mim), por isso o correto é “entre mim e você”. O verbo HAVER, no sentido de “existir”, é impessoal: não tem sujeito e só deve ser usado no singular. O verbo PRECAVER-SE é defectivo. Nos tempos do presente só apresenta a 1ª pessoa e a 2ª pessoa do plural: nós nos precavemos e vós vos precaveis. Isso significa que as formas “precavenha” e “precavenhas” não existem. Devemos substituí-lo pelo verbo PREVENIR.

Próclise, mesóclise e ênclise - Pronomes átonos - Dicas de Português



Próclise, mesóclise e ênclise

 Trata-se da correta colocação dos pronomes átonos.

Vamos tirar algumas dúvidas a respeito desse assunto.

COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Introdução:
Os pronomes átonos ( = ME, TE, SE, O, A, LHE, NOS, VOS, OS, AS, LHES) podem ocupar três posições:

1. antes do verbo = PRÓCLISE;
2. depois do verbo = ÊNCLISE;
3. meio do verbo = MESÓCLISE.

Os pronomes átonos são “fracos” na pronúncia. Por serem átonos, unem-se ao verbo. Não há hífen na próclise, porque a “união” é maior na ênclise. Em razão disso, na sintaxe lusitana, a preferência é a ênclise. No Brasil, a preferência é a próclise.

1. NOS REUNIMOS ou REUNIMO-NOS ontem com o diretor?Segundo a sintaxe portuguesa, não devemos usar o pronome átono no início da frase, embora seja muito comum no Brasil: O certo é “REUNIMO-NOS ontem com o diretor”.

Vejamos outros exemplos:
“Dá-me um cigarro.”
“Encontramo-nos com os alemães.”
“Tratando-se de dinheiro, não há discussão.”

Se você considera a forma REUNIMO-NOS pedante ou artificial, sugiro que ponha o sujeito antes do verbo e use a próclise: “Nós NOS REUNIMOS…”

Em textos formais, é recomendável evitar frases típicas da linguagem coloquial brasileira: “ME considero candidato”, “SE sente deprimida”…

Podemos usar: “Considero-ME candidato” ou “Eu ME considero candidato”;
“Sente-SE deprimida” ou “Ela SE sente deprimida”.

2. Eu O ENCONTREI ou ENCONTREI-O na praia?
Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
É preferível a próclise sempre que o sujeito aparece antes do verbo:
“O diretor SE RETIROU mais cedo (ou retirou-se).”
“Ela LHE ENTREGOU os documentos (ou entregou-lhe).”
“O proprietário ME OFERECEU um cargo em sua
empresa (ou ofereceu-me).”

3. Eu não LHE DISSE ou DISSE-LHE a verdade?
O certo é: “Eu não LHE DISSE a verdade.”
Quando há uma palavra de sentido negativo ( = não) antes do verbo, devemos usar a próclise.
A próclise ( = pronome átono antes do verbo) é recomendável nos seguintes casos:
a) com palavra negativa: não, nunca, jamais, nada, ninguém:
“Nada ME preocupa mais do que isso.”
“Ninguém NOS perturba tanto quanto os governantes.”
b) com alguns conectivos: que, se, quando, embora, porque:
“Ele lhe disse que OS dispensaria logo.”
“Quando SE trata de política, devemos ter cautela.”
“Caso TE ofendam, tem paciência.”
c) com alguns advérbios (sem pausa): sempre, já, ainda, agora, talvez:
“Sempre NOS encontramos aqui.”
“Ele já LHE disse tudo.”
“Isto talvez ME seja útil.”
d) com pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos:
“Foi ele quem O avisou.”
“Aqui está o livro que TE emprestaram.”
“Isto NOS é desfavorável.”
“Todos A criticaram muito.”
“Alguém NOS viu quando chegamos.”
e) em frases interrogativas:
“Quem LHES enviou os documentos?”
“Quando NOS encontraremos novamente?”
“Como TE sentes?”
f) em frases exclamativas ou optativas:
“Como VOS respeitam!”
“Quanto TE odeiam!”
“Deus O abençoe!”
“Macacos ME mordam.”
g) com verbo no gerúndio antecedido da preposição EM:
“Em SE plantando, tudo dá.”
“Em SE fazendo dia, partirei.”
h) com formas verbais proparoxítonas:
“Nós O censurávamos.”
“Nós A encontráramos antes de ele chegar.”

Teste da semana:

Assinale a opção que completa corretamente a frase “Verifique se os programas estão ________ pois __________, no decreto, a exigência de formação e treinamento dos futuros chefes.”

a) certo / está implícito;
b) certo / estão implícitos;
c) certos / está implícita;
d) certo / está implícita;
e) certos / está implícito.

Resposta do teste:
Letra (c). O que está CERTO são os programas e o que está IMPLÍCITO é a exigência. Portanto, o correto é “os programas estão CERTOS” e “está IMPLÍCITA a exigência”.

Pronomes Átonos - Dicas de Português



1. ME TORNAREI ou TORNAREI-ME ou TORNAR-ME-EI o líder do grupo?Segundo a tradição, o certo é: “TORNAR-ME-EI o líder do grupo.”
“ME TORNAREI” deve ser evitado em textos formais ( = pronome átono no início da frase);
“TORNAREI-ME” é inaceitável ( = ênclise de verbo no FUTURO está sempre errada).
Quando o verbo está no FUTURO do Presente ou do Pretérito do Indicativo, podemos usar o pronome átono em MESÓCLISE:
“Encontrar-NOS-emos na próxima semana.”
“Realizar-SE-ia hoje a reunião.”

2. Eu ME TORNAREI ou TORNAR-ME-EI o líder do grupo?Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
A mesóclise ( = Eu TORNAR-ME-EI) está correta porque o verbo está no Futuro do Presente do Indicativo;
A próclise ( = Eu ME TORNAREI) é aceitável porque o sujeito ( = eu) aparece antes do verbo.
Vejamos outros exemplos:
“Nós ENCONTRAR-NOS-EMOS ou NOS ENCONTRAREMOS aqui.”
“A reunião REALIZAR-SE-IA ou SE REALIZARIA hoje.”

3. Eu não TORNAR-ME-EI ou ME TORNAREI o líder do grupo? O certo é: “Eu não ME TORNAREI o líder do grupo.”
A palavra negativa ( = não) é a causadora da próclise, mesmo com o verbo no FUTURO. Entre a próclise e a mesóclise, devemos usar a próclise.

4. O fato VAI-SE REPETIR ou VAI SE REPETIR?
Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
Segundo a sintaxe portuguesa, um pronome átono não poderia ficar solto ( = sem hífen) entre dois verbos. O certo seria: “O fato VAI-SE REPETIR.”
Entretanto, no Brasil, o uso consagrou e é perfeitamente aceitável pôr o pronome átono “solto” entre dois verbos: “O fato VAI SE REPETIR” ( = próclise do verbo principal).

5. A secretária não LHE DEVE ENTREGAR ou DEVE LHE ENTREGAR ou DEVE ENTREGAR-LHE os documentos?
Tanto faz. As três formas são aceitáveis.
A próclise ( = não LHE DEVE ENTREGAR) está correta, devido à palavra negativa ( = não);
A ênclise de verbo no INFINITIVO ( = não DEVE ENTREGAR-LHE) está sempre correta.
Observe outro exemplo:
“Não posso RECEBÊ-LO.”

6. TINHA-NOS ENTREGADO ou TINHA NOS ENTREGADO ou TINHA ENTREGADO-NOS a carta?
As formas corretas são: “TINHA-NOS ENTREGADO a carta” e “TINHA NOS ENTREGADO”.
A ênclise de verbo no PARTICÍPIO ( = ENTREGADO-NOS) está sempre errada.

RESUMINDO:
1. Em textos formais, evite começar frase por pronome átono;
2. Prefira, sempre que possível, a próclise;
3. Após o infinitivo, a ênclise está sempre correta;
4. A mesóclise só é possível quando o verbo está no futuro do indicativo;
5. A ênclise de verbo no futuro ou no particípio está sempre errada;
6. Em locuções verbais, prefira a próclise do verbo principal (= solto entre os verbos).

Teste da semana:

Assinale a opção que completa corretamente a frase “________ meio-dia e _______; no céu _____________ as trovoadas de verão.”
a) era / meia / anunciava-se;
b) eram / meio / anunciavam-se;
c) era / meio / anunciava-se;
d) era / meia / anunciavam-se;
e) eram / meia / anunciavam-se.

Resposta do teste:
Letra (d). O verbo SER fica no singular para concordar com “meio-dia”, que é singular. “Era meio-dia e meia”, porque é “MEIA hora”. A palavra MEIO, quando significa “metade”, é numeral fracionário e deve concordar: “meio litro”, “meia garrafa”, “meio limão”, “meia laranja”. No caso da terceira lacuna, temos a partícula apassivadora “se”. O sujeito do verbo ANUNCIAR é “as trovoadas de verão”, que está no plural. Portanto, o correto é “anunciavam-se as trovoadas de verão”, ou seja, “as trovoadas de verão ERAM ANUNCIADAS”.